domingo, 26 de setembro de 2010

FOTOS DO SHOW NO BOCAIÚVA CAFÉ - ATÉQUENFIM!

de lambuja vai aí um poema do livro retruque


pablo's song

as estrelas são partículas
deste mundo em suspensão
de tão pequenas
há apenas
uma rua e uma lâmpada
em cada estrela
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burnett (na voz e na viola) e panzera (no 'baixaria') 

com meu amigo cantor e compositior francês frèdèric pagès, que estava em visita a belém

na hora do poema 'memorial ao fim da infãncia'








fotos do arquivo vieiranembeira

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

CALMO

cena musical tv cultura, 2009, by fabricio rocha



calma

muitas horas
nessa calma
e logo tudo
descamba

-
entre
âmbar
&
gamba
-

 para os
páramos
onde
incautos
paramos

 muito
calmos
bem
naquela
hora
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poema inédito

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

MANIFESTO EM DEFESA DE LOU


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superimportante dizer que a c. das letras vacilou feio na edição do livro atravessar o fogo - 310 letras de lou reed (bilingue).

1. primeiro pela consistência da capa, que não se garante em vestir adequandamente o tijolão.

2. depois, as traduções não estão lado a lado com os originais, o que gera um exercício pouco agradável ao leitor interessado em devaneios comparativos...

um espanto, para mim, que sempre elogiei tanto as edições deles. mesmo assim, vale demais, mesmo assim, o livro já está perto da minha cabeceira, entre um borges e uns outros lá...

fica manifesto!

POD CAST RETRUQUE RETOQUE - OUÇA

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http://www.portalcultura.com.br/?site=7&sub=38


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só pra marcar!

VERDADEIRO ARTÍSTA: CRIANÇA

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na impossibilida de postar fotos, ao menos por enquanto, dos lançamentos shows Retruque Retoque que já rolaram, e foram tantos! em santa maria de belém do grão pará, (3 shows: 1 no schva, 1 no hangar, e 1 no bocaiuva café), outro em santarém, outro em goiânia, outro em... ah!.. esqueci o nome dessa última cidade, é uma palavra jeitosa, palavra jeitosa não se deixa pronunciar assim, sem fazer qualquer mesurinha... mas quando lembrar lhes digo... então, aproveito para postar fotos ainda mais legais. as dos shows continuo devendo.

aviso ao major tom e aos outros viajante dos espaços; de agora em diante postarei com regularidade, sei, sei que já prometi isso antes, mas agora é meio sério.



can you here me, major tom?




















recentemente ele estava no guarujá, mas até hoje sonho com sua presença no guajará...

evoé!

vieiranembeira

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

FOTOS DO SHOW NO BOCAIUVA CAFÉ, EM BELÉM - MAIS RETRUQUE RETOQUE NA ÁREA

para lembrar a festa que foi o show retruque retoque no bocaiúva bar, agora em agosto, em belém.

AVISO: ROLOU AQUI UM DESENCONTRO, LOGO LOGO AS FOTOS!

sábado, 21 de agosto de 2010

RETRUQUE RETOQUE LANÇAMENTO EM SANTARÉM - 25.08.2010


picture by linda flor

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Será na Feira Literária do Sesc de Santarém, na beira do Tapajós, como eu previ tempos atrás em entrevista para Luciana Medeiros, confira:

Holofote Virtual: Pensam em lançar este trabalho fora de Belém?

Paulo Vieira: Sim. Pensar em lançar eu penso: Berlim, São Paulo, Paris, Milão, na Time Square, em Caracas, Buenos Aires, São Miguel do Rio Guamargo, no Bar do Rex em Bragança, Ah, sim! E em Santarém, na beira do Tapajós... Já pensou?... Eu penso.


Coincidência, ou mediunidade? Rá!


Até agora estamos assim:

Ontem 20.08: Show de Lançamento em Goiania (Burnett, solo)
25.08: Lançamento em Santarém (Paulo, solo)
28.08 (sábado): Show Lançamento em Belém, isso, de novo! No Bocaiuva Bar (22:30hs)
29.08 (domingueira): Show Lançamento em Belém, outra vez! No Hangar, Feira do Livro (17:30hs)


E tudo isso com aquela tal de "Nóis Mermo Produção!"

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Não percam!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

BURNETT LANÇARÁ RETRUQUE / RETOQUE NO CERRADO

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PROGRAMAÇÃO COMPLETA

I Colóquio Nietzsche no Cerrado

18 a 20 de agosto de 2010

18/08
Manhã (Auditório da ex-FCHF/UFG)
8:30 – Abertura
9:00 – Jorge Viesenteiner (PUC-PR) – Experimento e violência em Nietzsche: a vida na dimensão
do pathos
10:00 – Miguel Angel Barrenechea (UNIRIO): Nietzsche: as metáforas do corpo
11:00 – Rogério Lopes (UFMG): Notas sobre o ceticismo e vida contemplativa no entorno de Além
de bem e mal
12:00 – Intervalo
Tarde
Sala 1 (Miniauditório da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Vital Francisco C. Alves (UFG) – Considerações sobre a formação da memória na filosofia
de Nietzsche
14:40 – Adriano Correia (UFG) – Perdão e promessa, esquecimento e memória: considerações
sobre Arendt e Nietzsche
15:20 – Intervalo
15:40 – Márcio Gimenes de Paula (UNB) – A crítica de Lutero segundo Nietzsche: Renascimento X
Reforma
16:20 – Wanderley J. Ferreira Jr. (UFG) – Nietzsche – o último metafísico? Limites e possibilidades
da leitura heideggeriana de Nietzsche
Sala 2 (Sala 29 da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Georgia Amitrano (UFU) – Timpanizar a filosofia: a ausculta do outro nas marteladas de
Nietzsche
14:40 – João Edson Gonçalves Cabral (UEVA/UFC)e Dalila Miranda Menezes (UEVA) - A análise
crítica de Nietzsche à linguagem como política do rebanho
15:20 – Intervalo
15:40 – Leandro Alves Martins de Menezes (UFG) – Sobre o conceito de história em Nietzsche
16:20 – Thiago Alexandre Ribeiro Santana (UFG) – Da interconexão entre política e cultura no
pensamento de Friedrich Nietzsche
Noite (Auditório da ex-FCHF/UFG)
19:00-20:30 – Scarlett Marton (USP): Nietzsche: a obra feita e a obra por fazer
19/08
Manhã (Auditório da ex-FCHF/UFG)
08:00 – Vânia Dutra de Azeredo (PUC-Campinas): A interpretação em Nietzsche: do mundo ao
texto
09:00 – Márcio Silveira (UFBA): Perspectivismo e verdade na obra de Nietzsche
10:00 – Intervalo
10:20 – Anna Hartmann Cavalcanti (UNIRIO): Nietzsche e Wagner: arte e renovação da cultura
11:20 – Henry Burnett (UNIFESP): Nietzsche e o Volkslied: uma teoria da canção
12:20 – Intervalo
Tarde
Sala 1 (Miniauditório da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Ildenilson Meireles Barbosa (UNIMONTES) Nietzsche e a filosofia transcendental de Kant
14:40 – Rodrigo C. Rabelo (UNICAMP) – Para os conceitos de estilo e grande estilo no velho
Nietzsche
15:20 – Intervalo
15:40 – Oscar Augusto Rocha Santos (UFMG) - Nietzsche utilitarista?
16:20 – Thabata Franco de Oliveira (UNESP) - Nietzsche: nos interstícios da Filosofia e da
Educação
Sala 2 (Sala 29 da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Rogério A de Mello Basali (UNICAMP) – Filosofia no PAS/UnB: leituras do Crepúsculo dos
Ídolos no Ensino Médio
14:40 – Glauber Lopes Xavier (UFG) – Quando penso, não existo – procuro o ser! A poesia de
Nietzsche na revolução urbana de Henri Lefebvre
15:20 – Intervalo
15:40 – Luis Cesar Fernandes de Oliveira (UNIRIO) – A solidão como máscara na filosofia de
Nietzsche
16:20 – Mizael José de Oliveira Filho (UEL) – Probidade fisiológica e filológica: a interpretação
nietzscheana e a recepção de sua obra
Noite (Auditório da ex-FCHF/UFG)
19:00-20:30 – Monica Cragnolini (UBA-Buenos Aires): Apuntes para un pensar que no se agota:
Nietzsche y la biopolítica
20:30-21:00 – Lançamento de livros
20/08
Manhã (Auditório da ex-FCHF/UFG)
08:00 – Rosa Maria Dias (UERJ) – A arte de “dar estilo ao caráter”
09:00 – André Itaparica (UFRB) – Nietzsche e Paul Rée: sobre a origem da consciência
10:00 – Intervalo
10:20 – Ivo da Silva Junior (UNIFESP) – As consequências políticas da dissolução do sujeito em
Nietzsche
11:20 – Márcio Benchimol (UNESP): Nietzsche e o problema da história
12:20 – Intervalo
Tarde
Sala 1 (Miniauditório da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Ivan Maia de Mello (UFBA) – A aproximação entre arte e vida em Nietzsche e Artaud
14:40 – Ricardo de Oliveira Toledo (UERJ) – Nietzsche contra os românticos: a questão da
originalidade na arte
15:20 – Intervalo
15:40 – Caio Augusto T. Souto (UFSCAR) – Nietzsche e Foucault: da morte de deus à morte do
homem
16:20 – Abraão Lincoln F. Costa (UNB) – Nietzsche e a superação do niilismo pelo olhar de Gilles
Deleuze
Sala 2 (Sala 29 da ex-FCHF/UFG)
14:00 – Aelton Leonardo Barbosa (UFG) – O Eichmann de Nietzsche: crítica da filosofia moral
kantiana e de uma suposta moral popular alemã
14:40 – Edward Flaviano da Silva (PUC-MG) – Considerações sobre as manifestações da vontade e
crítica à compaixão e ao ascetismo de Schopenhauer à luz das reflexões nietzscheanas.
15:20 – Intervalo
15:40 – Joyce Neves de Campos (UFG) – A origem da tragédia: a tese nietzschiana – uma
introdução
16:20 – Gildete dos Santos Freitas (UFMG) – Eurípedes: o poeta da sobriedade
Noite (Auditório da Escola de Música e Artes Cênicas/UFG)
19:00-20:30 – Oswaldo Giacoia Jr. (Unicamp): Sócrates moribundo e a modernidade cultural:
variações sobre O nascimento da tragédia
20:45 – Encerramento: Apresentação de Henry Burnett – Lançamento: CD Retoque/Livro
Retruque

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

DEPOIS DO SHOW






fotos do show by linda flor

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RETRUQUE DA MEMÓRIA
Para Henry, Renato, Panzera, Artur e Rodrigo.

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“Lançamento de Retruque/Retoque ontem, no Schiva, provou que ainda há público para a poesia e a canção autoral: mais de 200 pessoas foram”. Assim escreveu o poeta e músico Renato Torres no seu twitter, no dia seguinte ao show. Isso num fim de férias belenense, concorrendo com outros eventos ‘grátis’ e com a novela das oito. E foi 20:00 horas, exatamente, que olhei pela cortina escura e constatei que havia apenas umas 10 pessoas. Voltei ao camarim, enchi minha taça com o bom Cotê des Provence, como não podia deixar de ser, e titubiei. Fiquei triste e pensativo, “poesia não serve para ser apresentada mesmo...”. Falei qualquer coisa assim ao Henry, que, tácito, me consolou com um carinho comum de irmão mais velho, que num olhar manso tenta ensinar ao ingênuo alguns caminhos do mundo. 20:30 horas, começava o show. O público eufórico. Não houve dinheiro para cenário. Mas quem precisa de cenário? Na passagem de som Henry me disse “Paulo, vamos de luz branca, só luz branca, pode ser?”. Luz branca. A guitarra de Renato, sua Fender Stratocaster, preta e branca, feito a luz do palco, seu violão 12 cordas Tagima & seu Crafter. E nas mãos de Burnett, instrumentos áureos, sua guitarra N. Zaganin e violão Yamaha. Ao fundo Artur Kunz escrevia versos com suas baquetas velozes. Panzera pôs os pés no chão e a cabeça nas nuvens, seu contrabaixo batia por meu coração. Rodrigo, ao teclado, e sua expressão perdida (só a expressão) completava o cenário. Portanto, como eu ia dizendo, quem precisa de armchair, neon, chantilly, toboágua? O tempo para mim corria líquido, a Clepsidra estava em cena. Renato, de cabeça baixa, concentrado, tecia com o aço de sua guitarra alguns dos versos mais comoventes da noite. A platéia entendia exatamente o que os poetas, cada uma à sua maneira, lhe diziam. Cantei junto com Henry todas aquelas canções. E minha voz ecoava dentro do teatro em cada verso que o poeta dizia com o coração destemido, grave, e os pulmões inflados de esperança. E no teatro ecoava a voz da Clepsidra. E a voz do público ecoava em cada um de nós. Apoteose, a melhor palavra. Finalmente, eu concluiria essa homenagem aos meus pares saltimbancos e rapsodos, com quem tive o prazer de dividir o palco, dizendo “Quem não foi, não faz ideia do que perdeu”, mas prefiro dizer: “Quem foi, sabe exatamente o que ganhou!”. Evoé!

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Pablo

quinta-feira, 29 de julho de 2010

RETRUQUE RETOQUE - NOVA CRÍTICA

Liberdade e música às palavras amotinadas

Por Edson Coelho de Oliveira *


“O oceano desperta magmas ressentidos (...) a morte mais reúne do que aparta (...) escolhe morrer de noite e não haverá espanto (...) um tanque de guerra de nuvem não consegue desviar de crianças (...) o chão não desperdiça seus mortos”.

Estes versos do paraense Paulo Vieira, num poema sem título (apenas com uma epígrafe de William Blake, para dar o crédito à influência dos “Provérbios do inferno”, do poeta inglês), cobrem um tema, a morte, caro à obra de Paulo Vieira que ganha especial importância no livro novo, “Retruque”, a ser lançado às 20h de hoje no Margarida Schivasappa (Centur).

O livro, premiado com a Bolsa Funarte de Criação Literária 2009, teve poemas musicados pelo também paraense Henry Burnett e será lançado com um CD encartado. Do lançamento faz parte um show de Henry com a banda Clepsidra e participação de Paulo declamando. Ingresso a R$ 10.

No prefácio ao livro, o professor Benedito Nunes nota que Paulo se movimenta pelo terrível “intervalo entre escrever e viver”, desafio que só é possível vencer pela forma. Benedito Nunes também ressalta que Paulo passeia por uma Belém pobre e de expostas mazelas, o que constitui um aprofundamento de um tema apenas insinuado nos livros anteriores do poeta e cronista, todos premiados.

“Retruque” também marca a volta de Paulo Vieira ao soneto, fortemente presente no livro “Infância vegetal”, deixado de lado em “Orquídeas Anarquistas” e agora retomado com maturidade e força, sobre temas como a própria poesia, o amor e o sexo (talvez o principal tema do poeta), a morte, o tempo e a memória, outro tema recorrente.

Como destacou ainda Benedito Nunes, um dos principais méritos do poeta Paulo na elaboração dos sonetos (soneto, hoje, é uma escolha a que é preciso se sobreviver, esteticamente) é o encadeamento dos versos, os enjabements.

Noutras palavras, é preciso vencer a discursividade para se atingir a densidade inerente à poesia. E não custa repetir que a linguagem é que é o cabo das tormentas a ser esticado, e Paulo se revela de fato um poeta de valor em sonetos como “bagagem merencória”, o melhor poema do livro, e “idiomas esquecidos”, que casam “conteúdo”, “discurso”, “sentimento” com achados verbais e de fluidez elogiável.

Vale citar algumas “pedras-de-toque” do livro, como ilustração dessa densidade poética: “tomar por exemplo o engaste da/moeda mais sórdida, dentre as trinta,/no centro do esquife negro”, “no prego/o terço/estremece/ao compasso/do coito”, “a lua embrionária/ainda pendurada num cílio/desta manhã”, “a candura atrai os animais/para a morte”, “a corda bamba da morte ensina:/o sorriso é um verso sem palavra/que, oculto, põe navalhas na retina/e se ao canto o palhaço se escalavra,/cômico em sua dor, morto na ideia,/sobrevive aos sorrisos da platéia”.

Retoque - O desafio de Henry Burnett, ao musicar os versos, especialmente os sonetos, era transformar em “melodia” (quer dizer, achados sonoros, “sentimento de música”, “êxtase musical”, por assim dizer) a “discursividade”, os enjabements, os versos longos: adensar, pela intensidade melódica, o que, nos poemas, já precisou vencer justamente o risco de soar “frouxo” ou prosaico. E Henry venceu admiravelmente o desafio.

O disco é melodioso, ritmado, “pop” e “MPB”, de sonoridade ao mesmo tempo moderna, delicada e até mesmo com uma pegada “rocker”, e aí conta a execução e participação nos arranjos da banda Clepsidra (Renato Torres, Arthur Kunz e Mauricio Panzera), que carreou para o trabalho o entrosamento e a sonoridade peculiar atingida ao longo dos anos.

O que se encontrará hoje no Schivasappa, portanto, é um encontro raro de artistas que desfrutam do seu auge: Paulo, ao vencer a maior antítese poética, a discursividade; Henry, que de certa forma se especializou em musicar poemas (de Edson Coelho, de Nietsche, de Fernando Pessoa) e, não por acaso, é pós-doutor em filosofia; e da banda Clepsidra, que agrega à sua pegada experimentalista leituras diretamente poéticas. Imperdível.




* Escritor e jornalista

segunda-feira, 26 de julho de 2010

FORTUNA CRÍTICA - ERNANI CHAVES - SOBRE RETRUQUE \ RETOQUE

“A madeira violácea do violão”: quando poesia e música se reencontram



Já houve um tempo em que canto e poesia, cantor e poeta, eram ditos pela mesma palavra, partícipes em conjunto, nos começos da história do ocidente, da relação entre o homem e o divino. Mas também, como o guardião da memória coletiva, o cantor-poeta se unia a um “declamador”, a um “rapsodo”, alguém que deambulando de cidade em cidade, na praça pública, recitava aqueles versos que lembravam aos presentes os feitos memoráveis dos heróis do passado. Estamos muito longe dessa época e talvez possamos apenas nos lembrar dela com um sentimento de nostalgia muito especial: a nostalgia do que não vivemos.

Entretanto, somos sempre interpelados pelas origens, como se elas se recusassem ao esquecimento absoluto. Acolher esta interpelação pode nos trazer certamente algum consolo, mas, talvez, o melhor acolhimento, neste caso, seja o de não perder de vista o presente “que hoje somos” e a distância que nos liga, mas que também nos separa das origens. Assim, diminuímos o risco, sempre à espreita, de transformarmos a tradição num peso que carregamos nos ombros, numa espécie de sagrado santuário coberto de relíquias que devemos honrar e venerar. Parte da cultura, a tradição, como já disse um célebre historiador, é uma “invenção”.
O projeto “Retoque” (extensão, complemento, mas também criação conjunta e de certo modo independente do projeto “Retruque”, com o qual Paulo Vieira ganhou a Bolsa de Criação Artística da Funarte, em 2009) contém diversos elementos que nos fazem remeter às questões acima mencionadas. Um poeta, Paulo Vieira, ele próprio um “rapsodo”, encontra um compositor-cantor, Henry Burnett e uma trupe de músicos, o Clepsidra, de Renato Torres, Mauricio Panzera e Arthur Kunz. Henry e o Clepsidra têm já uma longa história, uma longa trajetória em comum, de tal modo que, muitas vezes, é difícil pensá-los separados. Henry, em trabalho imediatamente anterior a este, já havia musicado poemas de outro poeta, Edson Coelho. As “afinidades eletivas” entre música e poesia na produção artística de Henry já estavam presentes, portanto, antes do encontro com Paulo Vieira.

Assim, se por um lado, a união entre música e poesia nos faz lembrar as origens de nossa cultura na Grécia Antiga, por outro lado, as intermitências da história deslocaram, radicalmente, as funções e atribuições dos diversos campos artísticos. Ou ainda, é necessário também pensar no aspecto específico, singular, que essas intermitências constituem, quando pensamos no Brasil, um tema e uma questão tão caras ao trabalho do Henry como professor e intelectual, de tal modo que, podemos arriscar dizer que uma das tradições de recente “invenção” entre nós, é de que entre música e poesia existe um liame forte e inquebrantável.

Mas, qual poesia e qual música? A poesia de Paulo Vieira é absolutamente grandiosa, o que o faz ser um dos mais importantes poetas brasileiros de sua geração. Neste livro, o quarto de sua ainda curta, mas intensa produção, Paulo é melhor, cada vez mais surpreendente, cada vez mais experimentador (existe maior experiência para um poeta atual do que escrever sonetos?), com um domínio cada vez maior do seu ofício. “História natural”, poema que ele mesmo declama no CD, é uma mostra do que Paulo entende como sendo o ofício do poeta, aquele que “se alimenta das carcaças”. Em “Idiomas esquecidos”, ele retoma a imagem baudelaireana do “albatroz”, em outro famoso poema das “Flores do Mal”, para confundir e fundir, no limite, o poeta, essa “ave abatida”, ao “papel”. Paulo, enfim, sabe que o poeta não é mais um “ser alado e sagrado”, ele tem essa aguda e desafiadora consciência de que o poeta é um “lutador” (outra vez Baudelaire), a esgrimir palavras e é dessa faina diária que ele retira a matéria do seu trabalho poético.


Mas, Henry, por sua vez, não adicionou simplesmente música aos poemas do Paulo. Ele os recriou e neste sentido, o Henry músico acaba também assumindo a função do poeta. Sua música, neste caso, é também poesia. Assim, “Refestelar”, poema no qual Paulo transforma a “rede” e o ato de “estar deitando na rede”, tão próximo de nós e tão presente na nossa famosa identidade cultural, em estado de êxtase a presidir o trabalho de criação e de reflexão, é recriado por Henry numa canção de ninar. Mas, é na “pegada” pop, que o trabalho de Henry mais me agrada. Aqui ele também vai surpreender os que o conhecem de seus trabalhos anteriores. “Pelas retinas” é, para mim, o ponto alto desse encontro radioso e feliz, a partir de um poema em que Paulo “canta” a odisséia dos “bêbados desgraçados”. Aqui, Henry abre os pulmões inteiramente e sua voz alcança alturas até então inimagináveis. E aí, então, os intrépidos garotos do “Clepsidra” fazem a festa, e acabam me levando, pelo “jogo estético”, a rodopiar, “no improviso do passo, na dança”, com diz o poema do Paulo, num misto de embriaguez e quiçá, de lucidez. “Retoque” é um oásis, tão necessário nesses tempos em que o cenário musical e cultural paraense é dominado por um deserto só.



Ernani Chaves é professor de filosofia da UFPA


Publicado no jornal O Liberal, 25 de julho de 2010

domingo, 25 de julho de 2010

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A PRIMEIRA MATÉRIA SOBRE O LANÇAMENTO

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http://holofotevirtual.blogspot.com/ : Henry Burnett e Paulo Vieira preparam lançamento de Retruque/Retoque

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

CELUzLOSE

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VEJAM LÁ, http://celuzlose.blogspot.com/, A REVISTA É SHOW

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NESTA EDIÇÃO

Entrevista
Ricardo Domeneck

BR.XXI - Literatura Brasileira Contemporânea
Érica Zíngano
Érico Nogueira
Floriano Martins
Lígia Dabul
Marcelo Hilsdorf Marotta
Mariel Reis
Paulo Vieira
Prisca Agustoni

GEO - Literatura sem Fronteiras
Anila Resuli (Albânia / Itália)
Fabiano Alborghetti (Itália / Suíça)
Stefano Raimondi (Itália)
Sylvia Beirute (Portugal)

Caderno Crítico
Elogio da síntese - por Carlos Felipe Moisés

O que é poesia?
Edson Cruz (Organizador)
Jairo Pereira
Joana Ruas
Nelson Guerra

BIO - Vida & Obra
Stéphane Mallarmé - por André Dick e Nicole Cristofalo

LÚCIDA RETINA - Poesia Visual
Arnaldo Antunes

SHOW DE LANÇAMENTO

sexta-feira, 18 de junho de 2010

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dizem que chora e pergunta por mim, que até acorda dentro da noite interminável da infância e me tateia na ideia. dizem que sonha e murmura meu nome. faço de tudo para ele não me odiar. se ao menos soubesse onde estou. se soubesse que a distância entre nós é um rio aberto com a chuva de um mesmo céu. se soubesse tudo o que não sei do amor. se o telefone não mentisse - essa falsa alegria de sentir perto quem está longe. por isso, ainda prefiro as cartas ao telefone. receber uma carta é melhor do que ouvir uma voz sem ver o rosto. escrever uma carta é como cheirar os cabelos dele. uma carta começa antes mesmo da primeira linha, quando se respira fundamente procurando a palavra mais carinhosa, quando a máquina de plástico na mão direita injeta nosso próprio sangue nas letras das palavras. escrever uma carta para ele é o mesmo que trazê-lo de volta. escrevi uma dias atrás, e hoje esboçei outra. dizem que choro e pergunto por ele, que até acordo dentro da noite interminável da tristeza e tateio seu rosto na ideia. dizem que sonho e murmuro seu nome.

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

APARIÇÃO NUM CAFÉ


vieira by detran


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os cabelos pretos lisos já foram maiores. tocavam as omoplatas. e toda chuva era dança entre os fios, esconderijo e gangorra. agora, uma pólvora nas pontas eriçadas, agulhas apontadas para o sol. passou por trás de mim enquanto eu tomava um café com chocolate muito amargo. não me movi, fiquei tal qual a mão de um morto, mesmo assim deu para ver todos os detalhes no ar projetado por seu andar com pressa. havia digitais em todos os fragmentos daquele perfume. respirei sua infância e a moça diante de mim também respirou, em seguida fez uma cara de cattleya e deixou-se tombar sobre a mesa que derreteu ao toque de seu queixo de corola. num gesto rápido consegui salvar meu café. tudo amolecia com essa aparição. paguei a conta e as moedas escorriam pela mão da garçonete, molhavam o antebraço. sai antes de os sapatos virarem poças. voltei para o hotel por uma rua incolor, feito as nervuras da mão de uma criança.


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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Asteróide-Saudade b-612




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"Aquela foto do macacão azul pode chamar o Saint Exupery para reescrever o livro". (daniel da rocha leite).

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