segunda-feira, 2 de agosto de 2010

DEPOIS DO SHOW






fotos do show by linda flor

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RETRUQUE DA MEMÓRIA
Para Henry, Renato, Panzera, Artur e Rodrigo.

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“Lançamento de Retruque/Retoque ontem, no Schiva, provou que ainda há público para a poesia e a canção autoral: mais de 200 pessoas foram”. Assim escreveu o poeta e músico Renato Torres no seu twitter, no dia seguinte ao show. Isso num fim de férias belenense, concorrendo com outros eventos ‘grátis’ e com a novela das oito. E foi 20:00 horas, exatamente, que olhei pela cortina escura e constatei que havia apenas umas 10 pessoas. Voltei ao camarim, enchi minha taça com o bom Cotê des Provence, como não podia deixar de ser, e titubiei. Fiquei triste e pensativo, “poesia não serve para ser apresentada mesmo...”. Falei qualquer coisa assim ao Henry, que, tácito, me consolou com um carinho comum de irmão mais velho, que num olhar manso tenta ensinar ao ingênuo alguns caminhos do mundo. 20:30 horas, começava o show. O público eufórico. Não houve dinheiro para cenário. Mas quem precisa de cenário? Na passagem de som Henry me disse “Paulo, vamos de luz branca, só luz branca, pode ser?”. Luz branca. A guitarra de Renato, sua Fender Stratocaster, preta e branca, feito a luz do palco, seu violão 12 cordas Tagima & seu Crafter. E nas mãos de Burnett, instrumentos áureos, sua guitarra N. Zaganin e violão Yamaha. Ao fundo Artur Kunz escrevia versos com suas baquetas velozes. Panzera pôs os pés no chão e a cabeça nas nuvens, seu contrabaixo batia por meu coração. Rodrigo, ao teclado, e sua expressão perdida (só a expressão) completava o cenário. Portanto, como eu ia dizendo, quem precisa de armchair, neon, chantilly, toboágua? O tempo para mim corria líquido, a Clepsidra estava em cena. Renato, de cabeça baixa, concentrado, tecia com o aço de sua guitarra alguns dos versos mais comoventes da noite. A platéia entendia exatamente o que os poetas, cada uma à sua maneira, lhe diziam. Cantei junto com Henry todas aquelas canções. E minha voz ecoava dentro do teatro em cada verso que o poeta dizia com o coração destemido, grave, e os pulmões inflados de esperança. E no teatro ecoava a voz da Clepsidra. E a voz do público ecoava em cada um de nós. Apoteose, a melhor palavra. Finalmente, eu concluiria essa homenagem aos meus pares saltimbancos e rapsodos, com quem tive o prazer de dividir o palco, dizendo “Quem não foi, não faz ideia do que perdeu”, mas prefiro dizer: “Quem foi, sabe exatamente o que ganhou!”. Evoé!

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Pablo

2 comentários:

Socorro disse...

Sei exatamente o que perdi e encho meus olhos de lágrimas de emoção lendo aqui... imagine se estivesse lá, gritaria desvairada de tanta emoção!!!

paulo vieira disse...

Soc, linda, obrigado pelas palavras, senti sua falta lá, mas vamos fazer outro, tenho o principal para conseguir isso: esperança.

beijos.

Pablo