segunda-feira, 15 de agosto de 2016

PARAGOFOREST - (um pouco do pouco que resta)

fiz todas as fotos com meu celular na primeira semana de agosto de 2016, na reserva florestal agro sete, atualmente cercada de vasta região desertifica pelo plantio de soja...


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solar

poros

solar 2

solar 3

musgo no gigante

micro teia

estrada branca

labirinto

camuflagem

escada de jabuti para o céu

anciã

escada de jabuti para o horizonte

pé de uma escada de jabuti

pula corda para gigantes

observador, meu amigo sistemata

troca de pele

aracno mundo

passeio


aracno mundo 2

miguel na cabana

solar 4

aracno passagem para outra dimensão

corte seco

fundo fungo

miguel, o parabotânico 

pousaste em mim

almoço na varanda

cabana natural

SOBRE DESMATAMENTO E POESIA NA AMAZÔNIA

eu e marcos cólon, entrevistando lúcio flávio pinto na casa da linguagem, em belém, agosto, 2016

sábado, 25 de junho de 2016

UMA ENTREVISTA

foto: auto-retrato - by paulo vieira


partilho com você uma entrevista que dei pra revista literária Travessias:

Na íntegra neste link:

(sobre o que falei na entrevista?...):

"Abrimos a edição com a entrevista concedida pelo poeta Paulo Vieira à pesquisadora Cristiane Rodrigues de Souza (UFMS/Três Lagoas). Já em sua primeira publicação (2004), Vieira surge como voz poética marcante, atestada inclusive por Benedito Nunes, que o aproxima, a princípio, das experiências poéticas do primeiro tempo modernista brasileiro. O poeta fala sobre sua relação com a natureza (de todos os lugares e de lugar nenhum); a relação entre o ser-poeta, o ser-engenheiro (Vieira é formado em Engenharia Florestal e seguiu carreira acadêmica na literatura) e a música; a linguagem, a forma e a metáfora; o desejo e o sofrimento." (O Editor).

NA FEIRA PANAMAZÔNICA DO LIVRO, 2016, TEMA DA ENTREVISTA: MEU PRIMEIRO LIVRO...

eu, rosângela darwich, daniel leite e juracy siqueira,  foto da elza lima

terça-feira, 5 de abril de 2016

NOITE, NA CAMA

o romance aberto 
sobre o peito

você chega
nem quer saber
personagem narrador 
tempo linguagem

você  deita junto
se encosta
você sabe 
eu gosto

como fosse
possível 
se encostar 
ainda mais 
você cola

ri um bocado
depois se afasta
devagar

e vai fechando
delicada
o romance
com a ponta
do pé

NOTAS DO ESTUDANTE 1



olho a palavra "engrenagem" como quem olha
                                             pra uma engrenagem

sempre que estudo eu me desmantelo

pateta, fico nesse flerte com a beleza dos conceitos
me perguntando por que, logo adiante, esqueço

os conteúdos, (embora nunca os efeitos!),
de algo excitante algo doce algo elegante algo que
pronunciado com todos os ésses e érres

faz de um burrico imponente corcel


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paulo vieira

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

GOSTO MUSICAOS

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gosto musicaos

a música na quarta
capa do silêncio

bach é pura bossa
stravinsky é rock’n’roll

leigo
ouço
meigo
patinho que é
o som do oboé

veja
não vejo
assim tanta
diferença

no erudito o folk
                    desvelo
cordas de banjo
no violoncelo





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paulo vieira



quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

POEMA EM SILÊNCIO



beiro o silêncio
enquanto o cheiro
 da morte
acende esta poeira
de sombras
que me adivinha
insone

vontade de correr
num parque
em são paulo
de comer menos
       e nunca
depois das 6

lembro de você
no dia
em que nos conhecemos
sua juventude
saltava pra me seduzir

beiro o arrependimento
mas me entretenho

tudo vale a pena
amor ódio poema

e essa inconsequência
que sempre me fode

mudo de cidade
esqueço tanta gente
especialmente
                nomes

   mas os rostos
também se apagam
porque a sombra
exige insumo

beiro a solidão
enquanto imagino
o gosto da palha
que envolvia o fumo



sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

MIRANDO O MAR




nunca levei a morte a sério enquanto
praticava o lento suicídio

[céu ansiolítico 
da boca
de sereias
e outros seres
antissociais]

suicidar-se devagar é vantajoso
dá pra roer o próprio osso
e se lamber feito um
cão sem patas 


mesclar tinta e sangue repensar
o verso jamais a ferida
envenenar o orvalho
arrepender-se de nada

aos bocejos de tédio
recolocar o pino
da granada

fazer roleta russa
uma vez por mês

nunca levei a morte a sério e agora
o suicídio vai
no piloto automático
mirando o mar



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Paulo Vieira

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FACEBOOK

      

outra vez descer pela encosta
ombro escarpado do gigante
depois do 4º ou 5º adeus
e cair num diário
sem capa nem miolo

onde mil e trezentos
ou mais cadáveres tolos
se acotovelam
entre escombros

enquanto um zumbi gargalha kkkkk
do topo da montanha
de lixo insular

chorume, emotionsurina, sangue
de um spoiler, corpinhos nus
destroçados, inexorável
felicidade nos ossos
moídos das faces
irascíveis por pouco
inconfundíveis

abarrotando a timeline da solidão

vozes vazias de mortos que,
aos berros ou sem euforia,
denunciam curtem
e compartilham
selfies, desgraças,
ódios, alegrias


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Paulo Vieira

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terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

amanhecer

no quarto absorvo 
ao menos um pouco

as réstias da luz
que o dia produz

longe a noite movediça
agoniza e apaga
tudo
vermelhos
roxos
grandes lábios
e azuis

absorvo e sinto
ao menos um pouco

os desígnios da aurora
que ao pousar
nos devolve
distorcidas
luzes
cores
esmaecidas

desperto antes
da mimética manhã
luzir altiva
                       
tenho abóbadas
insônia nas salivas

mas que fazer do medo
quando os fantasmas
se aposentam?

abro a janela a custo
a velha teia onde o orvalho
mede o salto para o sol

a árvore mais fria que um muro
estrangula o desejo de cantar

pássaros em fuga não olham para trás

o dia não pensa em amanhecer
eu penso em não pensar mais em você

o quintal só acorda
quando os pássaros voltarem

acordar é nascer do sono
nascer não é nenhum sonho

nem comecei o mundo
hoje e esse cansaço
essa vontade
contrária a tudo
a todo
princípio
como um Deus

arrependido
de inventar
o riso      
o ódio     
a espuma
mas não o mar
tão pouco a boca
que

embora imensa
nunca abarca
tudo quanto
o desejo
pensa

(daí a invenção da mão
desajeitada e ansiosa
feito a boca 
que complementa)

um Deus que não atina que ignora
esse gesto – amanhecer
e não sabe se hoje vai dar praia
ou se vai chover

porque, sendo Deus, sabe
que não há
como saber



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Paulo Vieira

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sábado, 30 de janeiro de 2016

CAIR SETE VEZES LEVANTAR NENHUMA


das quedas

cair sete vezes levantar nenhuma
ficar no chão junto às coisas coleantes
arrastar-se sem braços, pernas (o corpo se acostuma)
enquanto os outros se levantam pra cair adiante

querer demais algo é um meio
de esquecer a luta vã
riozinho hoje cheio
oceano vazio amanhã - 

acordar sem desejo, não ver auroras, perder ocasos 
no chão se aprende do tempo, aspereza e descaso 

as sombras, aqui em baixo, parecem compridas
maiores que as noites, mais longas que a vida
  mas o sol se espalha em nossas feridas,
e tudo cresce no chão, formigas, deuses, flora,  
nós e essa treva que nos devora 


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paulo vieira