Quinta-feira, 12 de Fevereiro de 2009

LUTO LATENTE


picture from net





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a cada fim seu recomeço
para max martins in memoriam

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não reconheci aquele corpo lacrado, fino,
embora o soubesse de max m, magro poeta.
os cortes do tempo ali representados, atino
e mesura da indesejada, formando uma reta,

um risco subscrito à travessia, naquela cuíra
de ainda escrever mais, não para consolar
ou ter de volta o último trago que o traíra
mas para, colmando a lacuna, num dia solar

em marahu, o fôlego ancestral de novo seguir
como se soubesse mesmo ter onde ir


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paulo vieira, 11, fev, 2009

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Sábado, 31 de Janeiro de 2009

CARTAS NA MESA


supertramp e pablo, hands by paulo vieira







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dizer que ando sem postar nada faz tempo, nao é dizer que nada ando produzindo, fato é que os novos trabalho estao vinculados ao chato ineditismo, como no caso da Bolsa Funarte de Criaçao literària que me puseram nas costas. dito isso, nao posso tudo sair publicando aqui, nesse meio promiscuo, nada exatamente contra o meio, but...

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passo entao a postar poemas dos livros editados e lançados, mas que quase ninguém leu e quase ninguém lerà mesmo e textos desvinculados de qualquer obra em andamento
(alerto: meu teclado francês-frescao nao possui o tiu e outros acentos, assim, vou improvisando, na escrita, e você, na leitura)
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poema só para glauco mattoso


aprendi a escrever na cegueira
caro leitor solar e

sei que esse te parece
um obscuro trabalho
:
talvez inútil
deves pensar

mas o verso da paisagem retida
no universo acomodado das retinas

revela

que o sol do poema
clareia a noite fria
e é noite clara
o que chamam dia



:
:



o peso do tronco de príapo


e quando comprimiu o pesado tronco
contra

dos quadris
a carnadura viscosa
e,
de tanta violência, rósea

se agitaram perdidamente as finas veias
sob a pele a azular a noite dos figos

não havia sequer uma gota de ar entreventres
as duas respirações de todo emudeceram

embaixo o cetim e uma lagoa

nada havia que a libertasse desse tronco
de amor suplicioso mas

um filamento leitoso passara a ligar
útero e virilhas vindo do interior
descendo as cachoeiras até o vale
dos grandes lábios vermelhos

agora o peso do tronco de príapo diminuía
lentamente sobre a fonte
e
de repente
um grito se instaurara
na úmida garganta de sua
ainda sedenta
amante



:
:



underground
para thiara fernandes



presa pelo pescoço a noite
corroia a fria corrente que o dia puxava mas
todos os ventos da terra invadiram os infernos
para os festejos do fogo e
houve felicidade entre
os demônios que nos torturam



:
:



quieto à margem de mim, o vento


e me deixei tombar entre algas azuis
junto à delicada ramagem flutuante.
num instante eu estava plácido
e minha sede seduzia peixes pálidos.
veio a chuva e me fez música na epiderme.
quieto à margem de mim o vento
era como um deus vestido
em branca túnica de brisa
e tudo era lento nessa tarde cinza.



:
:



fragmento

nas pontas de teus dedos havia um fogo gelado
que se derramava na pele quente

não sei dizer se as montanhas ficaram para trás
do sono anêmico da sombra sem dono
ou se meu abandono
transmutou-se em pássaro de asas mudas

tuas estrelas, contudo, só desaparecem
quando a noite fecha os olhos para dormir e

logo

em meio a poeira amarelada do poema ressurges
como um sol de bronze ou
ro


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poemas do livro orquideas anarquistas (ed. iap, 2007)

Quinta-feira, 27 de Novembro de 2008

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circunstância da pessoa humana

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de-
vagar
na rede

na cabana
urbana
quase em
silêncio
nao fosse
o escapular
ranger

um dedo
fumegante
entre
os dedos

a fumaça
em negrito
celebra
o rito
&
lembra

:

um filho

alguns livros
(apockryphos?)
escritos

e uma derruba
de mangueiras
evitada
no grito


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poema em processo, inédito de paulo vieira, para o livro retruque, bolsa funarte 2009

Domingo, 16 de Novembro de 2008

acquatico

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l'acqua vista de um avião

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uma corda esticada desde
a infância me recorda o rio
e seus desemboques

magoado, guamado, peixe
na sombra acquosa,
barro misturado
à pele das âncoras,
canoas com pernas
de correr em corr-
ente d'acqua


o marujopoente,
foca sua lanterna,
cuidadosamente,
na marinha, marrom,
serpente deitada
entre verdes tapetes,
respirando por guelras
de sobreviventes


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poema-em-processo inédito de paulo vieira,
para o livro retruque, contemplado
com a Bolsa de Criação Literária - Funarte 2008/2009

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Segunda-feira, 10 de Novembro de 2008

VIEIRANEMBEIRA - ENTREVISTA PARA RONALDO FRANCO

A seguir alguns comentários superlegais sobre minha entrevista da semana passada, trazidos lá do blog do cara http://ronaldofranco.blogspot.com/, confiram...




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Anônimo disse...
Entrevista inteligente. Gostei muito.

Jose Freire.

7 de Novembro de 2008 12:41

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Carmen Palheta disse...
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Instigante. Repleta de poesia. De verdades. De memórias. Gostei do que li na entrevista.
Abs,

Carmen

7 de Novembro de 2008 16:01


Adina Bezerra disse...
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Já nos ensina um provérbio bíblico:
"A palavra dita num tempo certo, é como maçã de ouro em salvas de prata".
Paulo Vieira me parece ser um daqueles que resolveu morrer de si mesmo para ressuscitar num novo mundo de eterno aprendizado...

8 de Novembro de 2008 03:13

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Anônimo disse...
Um chute na mesmice.Uma entrevista diferente.Com perguntas e respostas inteligentes.Os dois ligados no hoje.Legal.Estou passando para os amigos.E eles
estão adorando.

Téo.

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8 de Novembro de 2008 05:29

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Anônimo disse...
Na entrevista,argumentação lúcida,leveza e poesia,num equilíbrio criativo.
As perguntas rejeitam as sempre lidas nos jornais.As respostas impregnadas de sinceridade.Tudo isso proporciona ao leitor a sensação de ler coisas novas.Parabéns ao dois.


Lília Mello

8 de Novembro de 2008 10:27

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FRANCA ENTREVISTA

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paulo vieira em casa, by supertramp

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na semana passada, conforme anunciei aqui, dei uma entrevista para o jornalistaescritor (sem hífen, a nova regra do portuga concorda comigo..)ronando franco, fazendo uso de toda a minha franqueza, leia...


Ronaldo Franco: O que espanca a sua paciência?
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Paulo Vieira: Os maus poetas. Aqueles que pensam que para ser bom escritor é bastante abotoar a camisa de linho até o gogó, empinar o nariz e esperar os aplausos. Mas isso o tempo desfaz.

RF: O que o poeta deixa impecável ao sair de sua casa?
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PV: O destino de toda casa é ser a rua mais ampla, onde se pode andar despreocupado. Por isso, ao sair, levo a casa comigo para onde vou. Com a confortável mobília da memória e a família que me habita.

RF: Para quem você daria comida na boca?
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PV: Para meu filho Pablo, minha mulher, Mariana e para as crianças famintas, massacradas por puro capricho doentio de Hitlers, Stálins & Bushs.

RF: Em seus pensamentos o que lhe volta à tona temperado com saudades?
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PV: Sinto saudades do futuro. Que não sente saudades de ninguém. Mas ele sempre me volta à tona, com suas memórias tão presentes e ao mesmo tempo fugidias. Para mim a saudade é aquela sensação áspera e suave que os dedos sentem logo depois que a areia escapa por entre eles.

RF: "Para ser perfeito, um botequim tem que ser um pouco fedorento". Você concorda com o Hugo Carvana?
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PV: Já freqüentei muito boteco ‘pé sujo’, mas gosto mais ainda é do ‘pé podre’, aquele com cerveja de 2 reais, um balcão que não é lavado desde o século XVI, e um velho por trás com cara de poucos amigos. Assim o boteco é mais vivo, e mais vigoroso.
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RF: Instituíram a ditadura do corpo malhado. Mulher musculosa é bonita?
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PV: A mulher precisa ser bonita para ela mesma. Não para os outros. E para muitas, as mais independentes, essa é a lógica. Se ela ficar feliz parecendo a Alice do Popeye, uma Paniquete genérica qualquer, ou a Preta Gil, é o que importa.

RF: O que se planta na literatura paraense?.

PV: Sei de gente nova escrevendo poesia com qualidade em Belém, inclusive não publicada. Na prosa, cito Daniel da Rocha Leite e Nilson Oliveira, como autores talentosos que levam muito a sério seu trabalho e seu tempo.

RF: Quando você ri de si mesmo?
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PV: Quando percebo que o choro é inevitável.

RF: Belém passou daquela coisa torturada e torturante de ser provinciana?
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PV: Não. Nem vai passar por enquanto. É aí que está a graça e a desgraça desse chão. É importante observar o papel relevante dos governos para garantia e manutenção dessa condição da Santa Maria de Belém. Os atropelos e desvios históricos, que há séculos sabotam o curso natural desse Riocidade.

RF: O que lhe faria trocar dez dias de vida por apenas 30 segundos na pele do Super Homem?
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PV: O Superman é um idiota que vive tentando provar que o ser humano é fraco, medroso e incapaz, não gosto dele. E o Tarantino também não. Prefiro o Chapolin Colorado, o único super herói que tem como símbolo um coração desenhado no peito.

RF: Que divergência turva uma grande amizade?
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PV: Nenhuma. Grandes amizades, muito amiúde, já de si, são divergentes.

RF: O que anda de muletas no mundo?
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PV: O respeito pela vida.


RF: Quem sobrevive na floresta urbana: o policial ou o poeta?
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PV: Depende do compromisso de cada um com a urbe. Pode-se morrer num instante, ou sobreviver bem, se souber andar só no sapato. As pessoas se esquecem de que aqui é a floresta também, pensam na Amazônia lá longe, como se as Onças e as Cobras Pico de Jaca não pudessem atacá-las ali mesmo na Praça Batista Campos, ou numa ruela qualquer da Cidade Velha. Muita gente vive a tropeçar nos troncos e cipós espalhados pelas veredas de Belém.

RF: Quando uma lembrança vai para a lata de lixo?
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PV: Sempre. Vão todas para a lata de lixo da memória, que também recicla essas lembranças, e as transforma em versos.

RF: De mim, basta eu! -você diria a quem?.

PV: A mim mesmo, ora, pois.

RF: Qual é a última página de seu dia?
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PV: Não sei se os dias se encerram de verdade. Pode ser que a noite oculte mais umas páginas brancas em memória do dia que se finge de morto. Vai ver essas páginas brancas são as estrelas do céu, brilhando em homenagem ao dia, que dormita. Creio que não há página final para o dia, ainda que a morte insista em fechá-lo com sua pesada capa grossa e uns agudos pontos finais.

RF: O que em Belém é uma guerra inútil?
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PV: Não posso chamar de guerra inútil se não há combate, mas queria ver uma guerra, inútil que fosse, contra a poluição sonora, as gaiolas horizontais, o desemprego, os motoristas desvairados, o clientelismo político e vários etcteras...

RF: O que faz parte de sua mobília cultural?
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PV: Tenho um pequeno acervo de livros de poesia, prosa, pintura e música (na forma digital, principalmente). Não tenho dado conta de ler tudo, mesmo assim ainda quero muito mais. A única posse que me apetece é o livro. Me esforço também em acompanhar o cinema velho e o contemporâneo, escapando dos Moviecoms da vida, é claro.

RF: Onde anda a nossa inocência cabocla?
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PV: Não sei se temos essa tal inocência. Aquele trecho bobo, daquela música patética e racista que diz “nossos índios não comem ninguém...”, é furado. É claro que comem, e cru! Não somos os coitadinhos do norte. Somos, sim, os cabanos malinos, se for necessária a malinação...

RF: O que colocaria Belém em transe?
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PV: Belém já vive num transe. Só estando em transe para aceitar tanta corrupção, pobreza, e a situação degradante em que a maioria das famílias desta cidade vive.

RF: Se arte é tudo, o nada também pode ser arte?.

PV: Depende do nada. Se for um nada liquido, pode ser arte sim. Agora, se for um nada sólido, aquele meio pastoso, péssimo sinal, pode descartar, não é arte, nem aqui nem em Macau. Se o nada for gasoso, aí deve de ser vácuo, o que, segundo certos poetas intergalácticos, também pode ser encarado como arte.

RF: O seu humor suporta a empáfia engomada?.

PV: Às vezes sim, meu humor é elástico. Para enxergar melhor todas as coisas, inclusive as podres, é preciso paciência e bom humor. Mas tem muita empáfia desengomada também.

RF: Onde você se transforma em Peter Pan? E quando você é o Capitão Gancho?
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PV: Tive uma infância muito adulta, dura e curta. E vivi pouco, em gotas, a adolescência. O que me dá hoje, quase aos trinta, boa parte da juventude ainda por viver. Simpatizo com o Capitão Gancho, e a Sininho foi por um bom tempo minha confidente preferida. Amiga igual não há. Mas o que eu queria mesmo era ver o DreamWorks fazer uma versão do Peter Pan.

RF: Quem se vende barato ou se dá adiantado feito um Fausto belenense?
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PV: Acontece muito disso aqui. O cara se vende barato, ou até se dá de graça. A coisa é ter quem compre ou aceite tal bugiganga. Geralmente ninguém quer nem de graça. E acredito que a lista da pechincha nem caberia no seu tablóide.

RF: Em que moinhos tropicais você usaria a espada e o escudo de D. Quixote?
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PV: Cervantes estava certo. Muita coisa pode passar, mas a boa sátira fica. Toda a gente deveria polir seu escudo & espada e sair pelo mundo como o cavaleiro andante, lutando em defesa do que acredita, ou contra o que não acredita.

RF: Como o leitor pode tomar contato com seu trabalho literário atualmente?
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PV: Meu primeiro livro Infância Vegetal, de 2004, pode ser encontrado ainda em algumas livrarias de Belém (mas não sei se ainda existem livrarias em Belém), e o segundo Orquídeas Anarquistas (2007), só pode ser encontrado em minha casa. Livro Para Pescaria Com Linha de Horizonte, está no prelo, bem como o Livro Para Distração Na Tragédia, de crônicas, que sai no começo de 2009. Para ter acesso a esses trabalhos, e outros badulaques, basta acessar meu blog de literatura http://vieiranembeira.blogspot.com, e escrever para mim.

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Quinta-feira, 6 de Novembro de 2008

ENTRE VISTAS

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amanhã no jornal dos barbalho, diário do pará, sai um entrevista do vieiranembeira concedida ao jornalistaescritor ronaldo franco. no trabloide por aí... confiram lá, ou aqui. pois devo postá-la.


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perdoem a ausencia de post no momento, é por boa causa. parece que uma torrente de grandes mudanças vem vindo. aguardem.


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evoé,


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Quarta-feira, 29 de Outubro de 2008

SANGUE SANGUE SANGUE...


filado da tia net


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SANGUINOLENCIA NEWS



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Num jornal da cidade. Foto de primeira folha: Um cara morto, nu, ensangüentado, amarrado a um poste da iluminação pública, com o verbo duro escrito sobre a cabeça mutilada ‘ESTRUPADOR’. Olhei bem pra cara do cara na manchete, e sua fotinha, de cabelos penteados, na carteira de identidade, com os dentes ainda inteiros, reproduzida a um canto do jornal. Mas não foi sequer um espanta sono para o dia do belenense. O mané foi linchado e esfolado, me disse o porteiro do prédio. E de repente notei que tem muito repórter policial por aí. Uns quantos. São anômimos e sabem sempre o que renderia uma boa primeira página. A imprensa os desconhece, mas eles conhecem a imprensa, compram o jornal de manhã, dormem sonhando com terçados, tripas espalhadas na piçarra, mulheres com os peitos arrancados, ratos roendo pedaços de cérebro horas depois de um acidente. O leitor por estas bandas é um repórter profissional e perverso. Planeja tudo o que vai encontrar pela manhã na banca do seu João repórter jornaleiro. Confirma cada litro de sangue espalhado pela madrugada fértil, com um cafezinho no bico. As senhoras repórteres se distraem de passagem. Os meninos repórteres indo para a escola estancam em frente à banca, e um aponta a foto dizendo ao irmão Olha aqui, se você ficar me enchendo na sala de aula, vou te deixar igual a esse aqui, e ambos caem na gargalhada e a mãe repórter ri junto. O motorista repórter de ônibus dá uma paradinha na banca Ô seu João, muita carne hoje? e seu João repórter jornaleiro balança a cabeça assinalando um sinistro sim. Estou cercado. São todos repórteres e toda notícia é fria. Quêde trauma e nervosismo? Quêde espanto de manhã? A notícia é recebida pelos repórteres leitores com tédio. Todos teriam uma versão ainda mais cabeluda para contar. O flanelinha repórter propõe outra reconstituição mais sangrenta, a atendente repórter da farmácia pensa em tortura com tarja preta, o açougueiro repórter (esse duas vezes açougueiro, ou duas vezes repórter?) planeja um esquartejamento detalhado, no maior número de pedaços possível, coisa de guinnes. Vejo maus repórteres e repórteres maus por todos os lados. Por onde ando me sinto assaltante e assaltado, assassino e assassinado. E mais tarde a noite me cobrirá com seus coágulos de sangue enormes.


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texto inédito de paulo vieira


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Quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

cotidianamente

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guamargo

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uma da tarde
intra texto all
in front of
a rua, varal
de roupas
ensombradas
de fora a fora
como quintal
na frente
da casa


da sala
a velha
vigia
as vestes
through
the window

que o
bairro
é foda


genro
filha
netos
por trás
de favor
na puxada
esburacada

àrvore
de tabuas
copa de
lonazul

ervas
sobem
nas pernas
do berço

pendido
no prego
o terço
estremece
ao compasso
do coito
e da fome
enorme

na sala
a velha
finge que
dorme

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poema inédito de paulo vieira

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Segunda-feira, 20 de Outubro de 2008

então, pronto!

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ASSEMBLÉIA DE URUBUS


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do que é que eles estão calando? assembléia de urubus em belém, na vieux urbe. hiléia plena de calçadas gelatinosas, amarelo ocre. tomei entre os dedos aquele poema épico e rasguei ali mesmo, em frente à porta marrom do rio guamargo. não queimei - ausência de combustível - mas fiz picadinho. e guardei segredo sobre o autor. não há uma só rua estéril em cidade alguma, mesmo na très petite le vieux mans, au nord de la france, a coisa toda pode acontecer. e eu que pensava não haver desordem onde o silêncio da fazendinha assinala o cinéma fermé. os bichos são outros, mas as assembléias persistem: cangurus na austrália, tigres de bengala no nepal, ornitorrincos na tasmânia ou bodes no ceará. aqui ou em qualquer outro lugar sorteado no atlas astral. ou melhor, marcado pelo bico de uma bic naquele globo terráqueo que o menino sonhara (30 cm de diâmetro), posto encima da mesinha da sala, em tácito acordo com o chão de tacos na cor tabaco. quinta hora, sexta feira, encerram-se os trabalhos. a assembléia de urubus em belém entra em recesso.


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poema inédito de paulo vieira