terça-feira, 26 de julho de 2011

VIDA DE ARTISTA

performance no aniversário do site culturapara by vasco cavalcante (2008?)

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e teve boatos de que engenheiro não ganhava bolsa fapesp pra brasileira,
se isso é não ganhar, pohhhannnn!..

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NA LIVRARIA CULTURA






coucou,

agora vocês já podem comprar o livro-disco retruque retoque na livraria cultura, pelo site http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?sid=89353322313726317995894125&nitem=22612791

recomendo, aliás, que comprem logo todos, pois está com o preço errado, tipo 16 reais, uma pechincha... já estamos reclamando para corrigirem o erro, portanto corram e comprem logo assim barato mesmo, que vale mais.

ah, e a entrega é foguete, coisa fina,

yours,

vieiranembeira


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segunda-feira, 25 de julho de 2011

HOMENAGEM A BENEDITO NUNES NA USP




Colóquio Filosofia e Literatura

Homenagem a Benedito Nunes

Local: SALA 08 – CONJUNTO DIDÁTICO DE FILOSOFIA E CIÊNCIAS SOCIAIS

Av. Prof. Luciano Gualberto, 315 – Cidade Universitária – S. Paulo

Organização: Grupo de Estética

Departamento de Filosofia da USP

Inscrições e informações: www.fflch.usp.br/df

Data: 10 e 11 de agosto de 2011

Dia 10/08 (quarta-feira)

17h - Abertura

Imagens e pensamento de Benedito Nunes

Marco Aurélio Werle (USP)

Mário Videira (USP)

18h – Intervalo

18h30 – 21h:

O pensamento pode ser poético?

Claudia Drucker (UFSC)

As Elegias romanas : em busca da “naturalidade

indizível”

Pedro Galé (USP)

Teatro e filosofia em Lessing

Mário Videira (USP)

Dia 11/08 (quinta-feira)

16h30 – Conferência

Benedito Nunes: a arte de pensar

Franklin Leopoldo e Silva (USP)

17h30 – Intervalo

18h – 21h:

A superação da filosofia e a passagem para o poético

Daniel Rehfeld (USP)

Heidegger e Hölderlin: pensamento, errância e o habitar poético

Pedro Franceschini (USP)

Poesia e filosofia no Hipérion de Hölderlin

Ulisses Vaccari (USP)

Teatro, formação e vida no Meister de Goethe

Marco Aurélio Werle (USP)

quinta-feira, 14 de julho de 2011

para alguns dos meus mortos, e já são tantos...

chirico





no deles peito sem batimentos

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primeiro foi alonso
turbilhão da selva
com seu camartelo
encapelar bilac
esculpir na via
láctea
a teima

depois, benedito
inaudito
como bem queria
e deste silêncio
um deserdado
dia

agora essa,
também francisco
se escafedeu,
homem quase
inominado,
e aquela eterna
não presença,
até agora
se pressente,
tem de um ter
incrível
o efeito

vão, latente

no deles peito
sem batimentos
já me professo:

ars longa...
qual o quê?
vitars brevis
é o que se vê





sábado, 11 de junho de 2011

ENTRE UM FRIO E OUTRO...



Edouard Manet,Olympia,© RMN, Hervé Lewandowski
edouard manet, 1863
 


os amantes celebram em pleno inverno

no roxo sobre negro            mancha violenta
na profunda tintura mais escura que uma noite pura
urram corpos sem asas, peitos tesos afrontam o ar
                                                             e suas garras

mãos ou lanternas do desejo acendem nos poros e
vulcões conversam seus magmas por baixo das peles
                 sem sintagmas    sem núcleo  
                       o discurso do fogo

e esses dentes brancos com pontas, cornos de marfim
que o lábio acaricia e esconde e excita mais o alongamento
das pernas                    coxa   ardósia   roxa
enquanto vulcões irrompem lavas e lavam

lábios vermelhos, brasas, os amantes
celebram em pleno inverno
a extinção do frio

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segunda-feira, 6 de junho de 2011

ALEGRE MONTE


Igreja do Evangelho Quadrangular-Av:Comendador Pedro Morganti-Bairro-Monte Alegre-Piracicaba-SP-Brasil
monte alegre



noite no alegre monte


mãos de criança cavam a terra
plântulas imitam as nervuras azuis
raízes aspiram leveza nas pedras,
um charco de leite, ervas na treva
onde sombras se enroscam umas
nas outras até germinar penumbra
árvores rompem silêncios com
sinos de folhas, vento maduro
resvala no rosto de um fruto
impreciso, o rio da infância
atravessa a noite feito uma
rajada de borboletas rajadas

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monte alegre, piracicaba, 04.06.2011

domingo, 29 de maio de 2011

TRADUISANT POÉSIE FRANÇAISE ET...


l'expressionnisme




...écoutant lou reed: satellite of love! Seul, inconnu, dimanche dans la nuit.


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L'ÉTUDIANTE, 4

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l'expressionnisme


LE VIN DES AMANTS

Aujourd'hui l'espace est esplendide!
Sans mors, sans éperons, sans bride,
Partons à cheval sur le vin
Pour un ciel féerique et divin!

Comme deux anges que torture
Une implacable calenture
Dans le bleu cristal du matin
Suivons le mirage lointain!

Mollement balancés sur l'aile
Du tourbillon intelligent,
Das une délire parallèle,

Ma soeur, côte à côte nageant,
Nous fuirons sans repos ni trêves
Vers le paradis de mes rêves!

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Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal, Idem, P, 129.

L'ÉTUDIANTE, 3

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Une négresse par le démon secouée
Vêut goûter une enfant triste de fruits nouveaux
Et criminels aussi sous leur trouée,
Cette goinfre s'apprête à de rusés travaux:

A son ventre compare heureuses deux tétines
Et, si haut que la main ne le saura saisir,
Elle darde le choc obscur de ses bottines
Ainsi que quelque langue inhabile au plasir.

Et, dans ses jambes où la victime se couche,
Levant une peau noir ouverte sur le crin
Avance le palais de cette étrange bouche
Pâle et rose comme uncoquillage marin.

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Stéphane Mallarmé, MALLARMÉ. São Paulo. Ed. Perspectiva. Bilingue (Tridução & Triálogos: A. de Campos, Décio P. e H de Campos.

L'ÉTUDIANTE...2

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LES CONTEMPLATIONS

XIV

Demain, dès l’aube, à l’heure où blanchit la campagne,
Jê partirai. Vois-tu, jê sais que tu m’attends.
J’irai par la forêt, j’irai par la montagne.
Jê ne puis demeurer loin de toi plus longtemps.

Je marcherai les yeux fixés sur mes pensées,
Sans rien voir au dehors, sans entendre aucun bruit,
Seul, inconnu, le dos courbé, les mains croisées,
Triste, et le jour pour moi sera comme la nuit.

Je ne regarderai ni l’or du soir que tombe,
Ni les voiles au loin descendant vers Harfleur,
Et, quand j’arriverai, je mettrai sur ta tombe
Un bouquet de houx vert et de bruyère en fleur.


Victor Hugo
3 septembre 1847

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sexta-feira, 27 de maio de 2011

L'ÉTUDIANTE...1

giorgio de chirico
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CORRESPONDANCES

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La Nature est un temple où des vivants piliers
Laissent parfois sortir de confuses paroles;
L'homme y passe à travers des forêts de symboles
Qui l'observent avec des regards familiers.

Comme de longs échos qui de loin se confondent.
Dans une ténébreuse et profounde unité,
Vaste comme la nuit et comme la clarté,
Les parfums, le coulers et les sons se répondent.

Il est des parfums, frais comme des chairs d'enfants,
Doux comme les hautbois, verts comme le prairies
- Et d'autres, corrompus, riches et triomphants.

Ayant l'expansion des choses infinies,
Comme l'ambre, le musc, le bejoin et l'encens,
Qui chantent les transport de l'esprit et des sens.


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Charles Baudelaire, Les Fleurs du Mal, Paris, 1964, Éditions Gallimard et Librarie Générale Française.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

PRA QUEM SÓ ACREDITA VENDO


 benditos brócolis



pablo by manhana



eu, em menino, ia pra mesa de cara feia, muito chateado pela imposição do pai-drástico: só pedir licença pra se retirar depois de ter comido tudo. esse tudo incluía, é claro, verduras e legumes. uma tortura. pra aliviar minha barra desenvolvi uma técnica bem ao estilo do "herói sem nenhum caráter": munido de uma bermuda com largos bolsos, e de um cachorro doméstico que devorava tudo quanto, conseguia me livrar dos incômodos alimentos, alí, na cara do velho...

pablo, por outro lado... bem, vocês podem ver pelas fotos...

evoé!


segunda-feira, 4 de abril de 2011

sexta-feira, 1 de abril de 2011

VOLTAMOS COM A NOSSA PROGRAMAÇÃO NORMAL (hoje tem show do iron maden em belém, ainda que eu prefira um deep purple, iria se estivesse por lá. daqui mando de volta a mais contundente notícia jornalística que me chegou sobre o show, perfeita)


dá uma sacada no 'totalmente emaconhados'
e no 'culto ao tinhoso', isso que é notícia bem escrita,
os jornais da cidade deviam aprender com esses manos, digo: irmãos...




[enviado pelo luiz claúdio, meu amigo anarquista maldito]

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

RETOQUE PARA BAIXAR




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caro ouvinte / leitor,



agora você já pode baixar meu disco de poemas e músicas retoque (2010), com o cantor henry burnett e arranjos da banda clepsidra no http://umquetenha.org/uqt/?cat=616, além do mais, estão disponíveis os discos anteriores de henry: não para magoar (2006) e interior (2007). no mesmo endereço você pode baixar também o disco bem musical (2004) da clepsidra. aproveite!


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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

ALONSO ROCHA



foto (internet): o poeta alonso rocha no lançamento de seu último livro 
 


eu devia ter uns 19 ou 20 anos. escrevia feito um alucinado e estava concentrado nos primeiros desafios: compor quadras populares, as chamadas trovas. e foi assim que tive meu primeiro poeminha publicado num jornal da cidade, o extinto a província do pará, na coluna semanal do poeta alonso rocha. além de publicar meu poema, alonso me convidou em sua casa para o famoso suco de araçá da rita, sua sempre simpática esposa. nos tornamos bons amigos e alonso passou a ser o primeiro poeta ‘público’, digamos assim, a ler meus versos. e também eu lia os dele em nossos encontros.

com o passar dos anos a vida nos afastou e os contatos ficaram raros. mas sempre que nos víamos alonso reclamava, não sem estardalhaço, por meu sumiço e cobrava novas visitas.  em dezembro passado estive com ele, para uma conversa rápida, coisa que com alonso sempre foi praticamente impossível, pois ele sempre conseguia ser ainda mais falador do que eu. enfim, depois, por telefone,  marcamos um reencontro para o dia 19 de fevereiro, mas uns dias antes ele foi internado em estado grave e se foi ontem. ainda ao telefone, na última conversa, me disse “rapaz, eu não esqueci que você ficou me devendo um poema para o meu caderno de visitantes, lembre-se que até a foto para o caderno nós já tiramos em dezembro, não me enrola.. cadê o poema...?”.  eu não falei pra ele mas já havia escrito o poema em janeiro. não deu tempo de entregar.

alonso foi um dos poucos sobrevivente do parnasianismo puro, sentia algum orgulho nisso, e era para sentir mesmo, num tempo em que certos poetas sem vergonha, sob a couraça de modernos, têm a covardia de condenar até mesmo a rima, mas nem se tocam que metem os pés pelas mãos em seus comportamentos ultra-idiossincráticos (meu eufemismo para "confusos pra car&;*#lho") e sequer sabem fazer um verso cantar sem desentoar / destoar. alonso acreditou e viveu, condições mínimas para conseguir comprar algumas doses do raro ópio da felicidade. com sua morte, pouco tempo depois da morte de seu primo max martins, a cidade ficou ainda mais esmaecida para mim, feito uma perdida paisagem numa foto empoeirada caída por trás de uma cômoda imóvel.

a seguir um poema dele, alonso, autor de pelas mãos do vento (1954) e o tempo e o canto (2010).



BREVE TEMPO

Se me queres amar ama-me nesta hora
enquanto fruto dando-te a semente.
Se te apraz me louvar louva-me agora
quando do teu louvor vivo carente.
Aprende a te doar antes que a aurora
mude nas cores cinza do poente.
Se precisas chorar debruça e chora
hoje que o meu regaço é doce e quente.
A vida é breve dança sobre arame.
Sorve teu cálice antes que derrame
ninho vazio que o vento derrubou.
Porque quando eu cair num dia incerto
parado o coração o olhar deserto
nem mesmo eu saberei que já não sou.
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CONEXÃO VIVO

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o artista renato torres foi um dos 20 e poucos seleciodados para o conexão vivo no pará. renato é meu parceiro, graças ao henry b., que reuniu amigos para a gravação do nosso disco em 2010, dentre eles, renato. de lá pra cá, eu me aprimorando no labor das letras de música, passei a oferecer algumas a ele. com um aproveitamento de 101% em nossas parcerias, renato agora disponibilizou 5 músicas ultra-inéditas em http://renato-torres.conexaovivo.com.br/, das quais 3 são nossas, ouça, vale a pena!


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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

THRASH METAL

escrevi uma letra pra um baixista de certa renomada banda de thrash metal de belém, o título é dance in the flames of the death. na verdade escrevi em português: dança nas chamas da morte, mas sabe como é banda de metal, canta sempre em inglês, e só de pensar em convencê-los de outra ideia ouve-se logo aquele no way, por isso, fez-se uma porca tradução da letra... agora é esperar e ver se dá rock.

evoé!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

UMA CANJA DE POEMAS DO RETRUQUE: SETE SONETOS

vieiranembeira no simpósio olhares sobre o poético, 2 de dezembro, 2010.


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o palhaço

um palhaço trêmulo, gente, e o riso
de espanto frente as feras que lhe comem
as pernas, os braços e depois somem
na nuvem emplumada do improviso
na entrada do meu circo há um aviso
aqui jaz o espectro de um homem
alquebrado, fraco, mas não lhe tomem
por triste, ou derrotado, é mais que isso.
pois a corda bamba da morte ensina:
o sorriso é um verso sem palavra
que, oculto, põe navalhas na retina
e se ao canto o palhaço se escalavra,
cômico em sua dor, morto na ideia,
sobrevive aos sorrisos da plateia
 
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corcel memória
 
 
no coreto central a hirsuta crina
trepida contra o vento de granito
num torpor e frente a fúria assassina
das aves artificiais corre aflito
o infante mas esquece aos pés do mito
suas linhas, cerois e sua sina.
o corcel da memória se ilumina,
heitor desce as escadas e admito
que o sol deste sábado me consome
ainda que no céu não se apresente
inteiramente pois seu rosto some
em nuvens de matéria incandescente.
da praça em alucinante tropel
evade-se o heroico corcel
 
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soneto lazuli
 
 
certeira, no ombro, e o curare escorre
a selva azula-se, lazuli, gira
e por seu ângulo fechado a torre
irrompe num rompante e me delira
curto, o horizonte, apenas percorre
galhos, brácteas, pecíolos e a lira
da loucura dolente enfim transcorre
exéquias gloriosas e conspira
contra os últimos cedros e a liana
escondidos nos escombros da sombra.
a mim pouco denota a dor humana
quando a flecha arranco e na verde alfombra
pousa o licorne sua luz meridiana,
a ferida se fecha mas não sana
 
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o duelo
 
 
deixa o duelo ferido na coxa
nas mãos e nos pés sangue repisado
os baques zunindo dentro da mocha
deixa o duelo pendendo de um lado
a morte vem dentro da noite roxa
pousa seus dedos no peito parado
e é duro o embate feito o da rocha
contra netuno nas praias irado
se agarra o homem às vestes da morte
pressente em seus olhos a sua consorte
contudo está vivo e um novo duelo
precisa travar no campo sangrento
a morte se vai mas permanece o elo
entre o homem e seu complemento

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  tarde encalhada
 
 
blake fala de infanticídios e deus
esnoba os poetas - além do mais
existe a ira divina aos ateus
e os provérbios infernais aos demais
e quanto mais se adia o adeus,
mais enguias se reúnem, mortais,
no pátio encharcado junto aos teus
sapatos de passeio triviais
para desgosto de zeus nenhum raio
na tarde encalhada feito baleia
só chuviscos e os anúncios de maio
o infortúnio de um inseto contra a teia
lançado pelo sopro do desmaio
e o descaso da aranha frente a ceia

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  tela sensorial
 
  uns três ácidos na língua jovial
e o javali preso ao carro de bois
foi a primeira tela sensorial
de muitas outras que vieram depois
fiquei ligado na noite espacial
e vi que tudo era um sonho entre dois
astros mortos num domingo glacial
- tombados no cruel combate, pois
nenhum sol seria dócil ao ponto
de entregar os ponto cardeais -
mas se a candura atrai os animais
para a morte ainda não estou pronto
embora prove da cegueira pura
quando o ciclope ergue a viseira escura
 
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labor do amor
 
  circe não sabe a fórmula secreta,
se soubesse eu já estaria morto.
pois em meio a flores e odores, no horto
da morte, desgraças a mim decreta.
já senti mais medo e dor mais discreta
do que sinto hoje, velho e absorto,
e sempre escapo à circe, como um torto
foge do atentado ao sair da reta
mesmo sem querer, sem nem perceber.
mas se asfixio devo entender
que o labor do amor é feito um veneno
mais letal que o barbitúrico ameno
do abandono e seus efeitos suaves.
[circe pairando nua entre as aves]
 
 
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in retruque, poemas, 2010.