quarta-feira, 4 de junho de 2008

HISTÓRIA NATURAL

homem pensando em algum lugar, by supertramp


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Saindo de viagem, não para pescar, quem me dera, lhes deixo com o poema mais moço do novo projeto literário. ps. leiam o poema imaginando que está centralizado, faz um desenho quase simétrico, no post não está como deveria, devido a minha incapacidade.

evoé...


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HISTÓRIA NATURAL


não é nada patético morder sem dentes,
só gengivas, uma lua protética e decadente
para extrair a bile venenosa de seus fossos.
poeta é antes de tudo uma fera sem dentes,
bicho cansado, alquebrado, a espera do osso
de um bicho maior, morto por acidente,
pois um bardo que se preza não sabe nada
de caçadas, mas reconhece uma boa carcaça,
vive a definhar e a redefinir o que o definha,
traz no alforje uma arma, ou rapsódia, baça
água e a memória, essa lúcida e justa rainha,
que pesa nos seus ombros mas não o abandona
nem mesmo quando o golpe da morte a destrona


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2 comentários:

Jô Natas disse...

li uma matéria sobre um poeta louro ou loureiro, sei lá. falava de universalidade a partir do particular citando joao cabral de melo neto, mas os exemplares de poemas,na verdade nao eram poemas. quis dá aposentadoria (nao remunerada)ao poeta de 69 anos.
ler teus poemas é um presente, sempre visito este blog na esperança de ganhar presentes. e ganho.
"o poeta é uma fera sem dente" soube disso após ler infancia vegetal. escrevi: quanto de ti deixaste. agora tenho resposta: os dentes, ossos. pq os piolhos -aqueleas letrinhas pretas no papel/cabeça. entram pelos poros saem pelos dedos, pousam no papel, deixando o poeta ali, seco, cacbeça vazia. mas piolho é uma praga que dá do nada. loggo a cabeça do poeta fica cheia e os dedos buscam o papel.

paulo vieira disse...

oi jo natas,


é sempre essa luta (ou luto?) mesma, e saber que alguém sabe, que alguém levanta também o estaandarte, talvez contra a morte, me deixa com sentimento do dever cumprido, e sempre mais comprido...

um grande abraço carinhoso,


paulo